
Deitada em meu travesseiro nessa madrugada, pude pensar qual destino gostaria que essas lembranças tomassem. Em meus pensamentos veio a imagem de uma caixinha de madeira, toda trabalhada à mão, com flores rosas, amarelas e azuis claro, tons pastéis, cores que um dia foram vivas, mas que apesar de apagadas não perderam sua beleza, ao contrário, adquiriram uma beleza diferente. Pensei em todos os nossos momentos e os vi entrando naquela caixa, da mesma forma que uma pena cai ao chão, suave e discreta. Tive a sensação de conforto e angústia ao mesmo tempo, não queria deixá-las entrar, por outro lado, como seria tão fácil se as guardasse ali, apenas como algo que um dia foi bonito o suficiente para se lembrar. Senti medo de deixar essas lembranças soltas em meu pensamento e de um dia elas se perderem. Senti receio de querer vivê-las novamente e por algum motivo estragar sua suprema beleza. Não quero machucar ainda mais esse amor que restou, por isso elas estão guardadas ali, para que permaneçam sempre belas e causem suspiros ao serem lembradas. Não é da minha personalidade deixar as coisas acontecerem, eu gosto de buscas e de intensidade, porém estou falando do meu coração, um coração que não aguenta mais meu estilo de vida. Por esse motivo, devo dizer que nossas lembranças estão seguras naquela caixinha florida, mas que no lugar do cadeado não há nada, para que um dia você possa libertá-las.
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